sometimes...

delírios.

 

Eu quero um horizonte.
Com alho, cebola e salsa.
Comer ele inteiro.
Aí pular numa cachoeira de vinho barato.
Sob o aplauso de mulheres nuas.
Loiras, ruivas, morenas.
Grandes, magras, gordas, pequenas.
Aí sair andando sem rumo.
Parar num bar de estrada que está por trinta e tantos anos fora do mapa.
Pedir pra colocarem um cd do Nick.
Ou uma musiquinha dele que seja.
Pra acompanhar meu café com gostinho de pó ralo e de água suja.
Então eu chegaria num quiosque de praia.
Ficaria na sombra sentindo a brisa do mar.
Sentaria e pediria uma cerveja.
E te veria no horizonte.
Linda.
Cabelos molhados saindo do mar.
Vindo na minha direção.
Me xingaria pra não perder o costume.
Mas sentaria e pediria um copo.
E em alguns instantes estaria em meu colo.
E eu passando a mão em suas pernas.
E estaríamos rindo alto.
E enfim num colchão qualquer de hotel.
Você arranhando minhas costas.
E eu misturando seu gosto ao do café, da cerveja, do vinho e do horizonte.
Pulsaríamos juntos entrelaçados.
Iria fundo em você te olhando nos olhos.
Poderia gozar só de te ouvir gemendo.
Trocando palavras sujas nos ouvidos.
Então sentaríamos a meio fio na calçada.
Um outro copo de qualquer coisa barata com nome engraçado.
Tipo “Xixi de Virgem” ou “Baba de Moça”.
E teria uma brisa suave.
Com gostinho de fim de tarde.
E eu falaria sem parar.
Sobre qualquer coisa que seja.
Te contaria meus planos.
Muitos deles nunca realizarei mas me sentiria eufórico só por falar deles.
Contaria histórias engraçadas.
De bares, amigos, estradas e vexames.
E você sempre riria.
Sempre me olharia desse jeito.
Com esse olhar que me conhece.
Me abraçaria nua no quarto.
E saberia que o amor sempre existiria ali.
Nesse espaço de tempo exato.
Enquanto teu sorriso brilhasse pra mim.
Pra esse corpo surrado, cheio de tatuagens feias, fedendo a vinho, cerveja, café e intimidade.
E enquanto eu pudesse comer meus horizontes.
Com alho, cebola e salsa.
Pois é isso e apenas isso que me faz ser o que sou.
Que me faz sentir vontade de viver e que alimenta nosso amor…
Eu quero um horizonte.


Autor: Nenê Altro

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